Pensamento Mtico e Pr-Socrtico:
Caractersticas e Funes
a busca do conhecimento nas suas mais variadas jbr mas de expresso pode ser definida
como o esfbro do esp frito para compreender a realidade, dando-lhe um sentido, uma
significao, mediante o estabelecimento de nexos aptos a satisft as exigncias intrnsecas
de sua subjetividade.
Antonio Joaquim Severino
a busca do conhecimento  uma fora inerente  constituio humana
e  um movimento realizado pelo homem para compreender a realidade que, plstica e 
dinamicamente, sofre desdobramentos
e evolui ao longo dos sculos. Suas razes originais esto fincadas muito profundamente na 
histria da humanidade e das civilizaes e seu desenvol vimento acontece sobre um trilho 
misterioso e fascinante.
Assim, entre mistrio e fascnio, tambm a compreenso do desen volvimento do 
pensamento do homem deve ser buscado por diferentes formas de memria, muito atrs no 
tempo, a fim de que seja possvel compreendermos como a cincia Psicologia, que busca 
entender e atuar
sobre o mundo psquico humano, chegou a instituir-se como fonte fidedigna
de conhecimento sobre o Homem.
1.1 O Pensar Mtico
O pensamento humano, na sua origem, no exercia seus potenciais de lgica e 
subjetividade para a compreenso da realidade. Por essa razo, as primeiras expresses do 
pensamento traziam em si muito mais sensaes e sentimentos, ainda que no nomeados, 
do que razo.
Convido voc a buscar comigo o fio da meada nas pesquisas antropo lgicas. Elas nos 
mostram que o modo mais antigo utilizado pelos homens de buscarem o sentido dos 
fenmenos naturais e da prpria vida foi o mito. Quando falamos em mito, no devemos 
pensar em algo absurdo ou totalmente irracional, pois a forma mtica de pensamento, na 
verdade, representa a expresso de uma primeira tentativa da conscincia do homem 
primitivo em direo ao estabelecimento de alguma ordem no poderoso, incontrolvel e 
confuso mundo por ele habitado. De acordo com Severino
(1992, p. 68):
o mito assume a forma de uma narrativa imaginria sobre a qual vrias culturas procuram 
explicar a origem do uni verso, seu funcionamento, a origem dos homens, o fundamento de 
seus costumes apelando para entidades sobrenaturais, superiores aos Homens; as foras e 
poderes misteriosos que definiram seu destino.
O pensamento mtico-potico  encontrado entre os sculos X e VII a.C. e  reconhecido 
em diferentes civilizaes, tais como a romana, a nrdica etc. Iremos nos deter no mito tal 
como ele  vivenciado entre os gregos e o local onde podemos procurar com segurana a 
expresso do pensamento mtico, uma vez que ele pertence a um perodo to antigo,  em 
Hesodo, escritor que viveu em algum momento do sc. VII a.C., cujos textos esto 
impregnados de um carter didtico, religioso e moral bastante claro.
Na leitura de Hesodo voc vai encontrar, por exemplo, o mito da
criao do mundo, no qual, de forma linda e organizada, ele faz uma sntese
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Pensamento Mtico e Pr-Socrtico: Caractersticas e Funes  de relatos mticos 
tradicionais mostrando a possvel viso, naquela poca, da criao do universo, alm de 
descrever o cenrio que se desenrolou a era dos deuses olmpicos. H, ento, dois grandes 
trabalhos desse autor:
Togonia  considerada por alguns estudiosos a primeira obra religiosa dos gregos, que 
permite compreender a genealogia dos deuses, e Os trabalhos e os dias  que discute a 
funo do trabalho no cotidiano e sua importncia para a sobrevivncia dos mortais. H 
passagens que merecem ser lidas com carinho nesses poemas, pois so realmente belas.
Alegrai, filhas de Zeus, dai ardente canto,
Gloriai o sagrado ser dos imortais sempre vivos,
Os que nasceram da Terra e do Cu constelado,
Os da noite trevosa, os que o salgado Mar criou.
Dizei como no comeo Deuses e Terra nasceram,
Os Rios, o Mar infinito impetuoso de ondas,
Os Astros brilhantes e o Cu amplo em cima.
Os deles nascidos Deuses doadores de bens
Como dividiram a opulncia e repartiram as honras
E como no comeo tiveram o rugoso Olimpo.
Dizei-me isto, Musas que tendes o palcio olmpio,
Ds o comeo e quem dentre eles primeiro nasceu.
Teogonia  a origem dos deuses.
(Estudo e traduo Jaa Torrano. So Paulo,
Iluminuras, 1993.)
{...} Homem excelente  quem por si mesmo tudo pensa, refletindo o que ento e at o fim 
seja melhor;
e  bom tambm quem ao bom conselheiro obedece; mas quem no pensa por si nem ouve 
o outro  atingido no nimo; este, pois,  homem intil. Mas tu, lembrando sempre do 
nosso conselho, Trabalha,  Perses, divina prognie, para que a fome Te deteste e te queira 
a bem coroada e veneranda Dernter, enchendo-te de alimentos o celeiro; pois a fome  
sempre do ocioso companheira;
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Psicologia: Das Razes aos Movimentos Contemporneos
os deuses se irritam com quem ocioso
vive; na ndole se parece aos zanges sem dardo, que o esforo das abelhas, ociosamente 
destroem, comendo-o; que te seja cara prudentes obras ordenar, para que teus celeiros se 
encham do sustento sazonal. Por trabalhos os homens so ricos em rebanhos e recursos. E, 
trabalhando, muito mais caros sero aos imortais, O trabalho, desonra nenhuma, o cio 
desonra .
Os trabalhos e os dias.
(Traduo Mary de Camargo Neves Lafer.
So Paulo, Iluminuras, 1991.)
Antes de Hesodo, outro poeta chamado Homero  nascido prova velmente no ano de 907 
a.C.  j havia documentado a forma mtica de pensar. Homero  considerado por 
estudiosos um dos maiores gnios literrios da humanidade. A histria de sua vida, o local 
e a data de seu nascimento so cercados de lendas. Conta-se, por exemplo, que era um 
velho cego que andava pelas cidades declamando seus versos, assim como se discute a 
veracidade de sua existncia. Procure ler sua biografia e comentrios sobre sua obra.  
atribuda a ele a autoria de dois grandes poemas  Ilada e Odissia  consideradas as 
obras que iniciaram a histria da literatura grega.
Ao ler esses poemas voc ficar deslumbrado com a beleza e a riqueza do pensamento 
homrico. Em ilada, ocorre o desenrolar da guerra entre gregos e troianos, com a descrio 
das estratgias de combate e destaque para o poder das paixes, da valentia, da lealdade, 
das traies e do amor como foras determinantes das relaes humanas, foras essas 
dirigidas e comandadas pelos deuses do Olimpo. Aquiles, Ptroclo, Heitor e a bela Helena 
so algumas personagens da luada.
 compreensvel que os Teucros e os Aquivos [ por tal
mulher tanto tempo suportem to grandes canseiras! Tem-se real mente, a impresso de a 
uma deusa imortal estar vendo.
Ilada. Terceiro canto. Rio de Janeiro, Ediouro, s/d.
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- Pensamento Mtico e Pr-Socrtico: Caractersticas e Funes
Em Odissia, voc ir acompanhar Ulisses nas provaes e aventuras
que viveu durante os 10 anos que levou para retornar  sua casa, desde
o momento em que acontece a tomada de Tria at a hora em que os
deuses decidem sobre o seu regresso. Nessa trama,  possvel reconhecer
o cotidiano das famlias e dos costumes sociais.
Eis a histria de um homem que jamais se deixou vencer. Viajou pelos confins do mundo, 
depois da tomada de Tria, a impvida fortaleza. Conheceu muitas cidades e aprendeu a 
compreender o esprito dos homens. Enfrentou muitas lutas e dificuldades, no esforo de 
salvar a prpria vida e levar de volta os companheiros aos seus lares [ ao comear a histria 
todos os que no foram mortos na guerra estavam em casa [ ele, porm, achava-se sozinho, 
ansioso para voltar  ptria, para junto da esposa. Era prisioneiro de uma feiticeira, linda 
criatura, Calipso, queria ret-lo em sua gruta e torn-lo seu marido. A Odissia (em forma 
de narrativa). Traduo e adaptao de Fernando C. de Araujo Gomes. Rio de Janeiro. 
Ediouro, s/d.
Gostaria de reforar que nos dois poemas voc perceber, de maneira muito clara, a 
presena constante da interferncia de foras poderosas e divinas no comando da vida 
cotidiana do homem. Os deuses, no pensamento mtico, so seres que, na sua caracterstica 
imortal, exercem eterna soberania sobre o destino dos mortais.
Sabe-se por intermdio de Hesodo que nessa comunidade divina existe uma hierarquia, ou 
seja,  possvel saber como os deuses so gerados e quem  filho de quem, e sabe-se por 
meio de Homero que os deuses tm formas e sentimentos semelhantes aos dos mortais.
Pense o seguinte:  como se o Homem, ainda imaturo no seu processo de desenvolvimento 
e, portanto, ainda sem recursos para reconhecer suas prprias condies internas, projetasse 
seus sentimentos de forma a depositar no mundo fora dele vida, sabedoria, sentimentos e 
poder.
O que ocorre  que a forma de pensar encontrada no pensamento mtico, to claramente 
descrita nesses autores, representa a tentativa de organizao e compreenso da 
desconhecida e assustadora fora da natureza e tambm da posio do prprio homem 
nesse universo, atravs do poder de divindades.
Para Homero, a interveno malfica ou benfica dos deuses sempre est dominando a 
essncia do comportamento dos heris, pois so os deuses quem comandam suas aes. O 
mito corresponde  satisfao do desejo humano de encontrar sentido e sistematicidade nos 
fenmenos que o envolvem.
No podemos esquecer, por outro lado, que para ser reconhecido como
tal,  necessria a aceitao social do mito. De acordo com Minozzi (1999,
p. 44):
O mito, enquanto tal, pode ser compreendido como ver dade, j que sua viso de 
realidade, mesmo que particularizada, no deve ser contestada. Caso sej a, o mito perde sua 
funo na sociedade. O mito vive da crena depositada nele pela sociedade que o gera ou o 
adota [
A profundeza da tentativa de compreender e de se posicionar no mundo, tanto individual 
quanto socialmente, faz com que o estudioso da Psicologia moderna, quer na esfera da 
personalidade e do desenvolvimento ou das relaes sociais, depare-se por vezes, na sua 
pesquisa, com expresses de pensamentos mticos subjacentes  lgica individual e grupal.
Segundo Mueiler (1978, p. 3):
 a Humanidade, onde quer que aparea, se manifesta, inicialmente, por uma atitude 
animista. Parece que as primeiras sociedades humanas atribuam seus xitos e malogros a 
misteriosas potncias, onipresentes, capazes de modificar o curso das coisas. Tal concepo 
provocava o desejo de conciliar ou domesticar essas foras por meio de prticas religiosas 
ou mgicas, as quais se encontram, assim, na origem da vida mental. Os estudos modernos, 
tanto sobre a mentalidade infantil quanto sobre a mentalidade primitiva, tm esclarecido de 
maneira satisfatria esse estado de esprito que consiste em projetar no exterior desejos e 
temores, em conferir poderes ocultos aos seres e coisas do mundo ambiente. Todos ns, 
adultos ocidentais, na primeira infncia, acreditamos nos contos de fadas, e daquele mundo 
potico e miraculoso de ento resta-nos, muitas vezes, uma vaga nostalgia... A Psicologia 
prpria a essa mentalidade animista
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apresenta formas variadas e longe est de ser to simples quanto poderamos crer  primeira 
vista. [ No mundo hornrico a psiqu no explica o mistrio do Homem como ser dotado 
concretamente de sentimentos, de desejos, de vontade, de pensamento.
Leia estas definies de mito:
O mito tem afuno de oferecer um modelo lgico para resolver as contradies da vida 
cotidiana  Lvi-Strauss.
J O mito serve para dominar o real  Sigmund Freud.
1.2 O Pensar Pr-Socrtico
Entre os sculos VII e VI a.C., a humanidade viveu uma grande transformao na forma de 
expressar seu pensamento. A Grcia, em funo das novas necessidades sociais, foi forada 
a desenvolver tcnicas voltadas para o processo ensinar  aprender, desconectando-se 
lentamente do apoio oferecido pelo pensamento mtico, comeando a se sustentar na 
realidade percebida do cotidiano. O pensamento do homem comeou a ser teorizante.
Veja que explicao interessante para esse movimento encontramos
na Introduo do volume Pr-Socrticos da coleo Os Pensadores
(p. XV):
Durante o sculo VI a.C. as novas condies de vida das colnias gregas da sia Menor 
acentuam-se devido  revoluo econmica representada pela adoo do regime monetrio. 
A moeda, facilitando as trocas, vem fortalecer econmica e socialmente aqueles que vivem 
do comrcio, da navegao e do artesanato, marcando definitivamente a decadncia da 
organizao social baseada na aristocracia de sangue. A partir de ento e sobretudo no 
decorrer do sculo VII a.C., a expanso das tcnicas  j desvinculadas da primitiva 
concepo que lhe atribua origem divina  passa a oferecer ao Homem imagens 
explicativas dotadas de alta dose de racionalidade, conduzindo
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 progressiva rejeio e  substituio da viso mtica da
realidade.
Na verdade podemos dizer, com relativa tranqilidade, que o pensamento filosfico e 
mesmo o pensamento cientfico tomaram impulso no momento em que se iniciou o 
esrnaecirnento do pensamento mtico, dando lugar s explicaes dos movimentos naturais 
a partir da observao. Segundo Dowden (1994, p. 59):
A cultura grega valorizava suas tradies. Existem poucos indcios de crtica ao mito em 
Homero ou Hesodo. [ A crtica comea apenas a partir de dois desenvolvimentos 
intelectuais do perodo de 5 50-450 a.C. O primeiro, e mais antigo, foi a emergncia do 
pensamento filosfico e cientfico em uma srie de individualistas hoje rotulados 
genericamente como pr-socrticos [ O segundo desenvolvimento foi o incio da escrita 
geogrfica, etno-grfica e histrica, decorrentes de um aumento das viagens e de uma 
melhor observao.
No pensamento pr-socrtico destacaram-se duas formas de compre enso do mundo. Um 
grupo preocupava-se, prioritariamente, com a natureza e por meio da observao tentava 
encontrar o elemento bsico (physis) originador e princpio ordenador da vida e da 
totalidade do Universo.
Dentre os fisilogos destacaremos alguns nomes, com objetivo apenas de ressaltar como os 
pr-socrticos foram fundamentais no desenvolvimento da racionalidade humana. Este 
grupo se inicia com um pensador da cidade de Mileto, chamado Thales, que, segundo a 
tradio do pensamento grego, foi considerado, alm de matemtico e tambm poltico, o 
primeiro pensador grego. Pela observao, Thales introduziu um pensamento que envolve a 
idia de seqncia e de modificao e passou a apontar a origem dos fenmenos do dia-a-
dia, recorrendo ao que existe e ao que  conhecido. Segundo ele, nada existe 
autonomamente, ou seja, se algo existe  porque emergiu de alguma outra essncia e, para 
ele, o elemento originador era a gua. Suas afirmaes foram sendo formuladas pela 
observao. Leia esta fala atribuda a Thales e tambm retirada da coleo Os Pensadores 
(volume citado, p. 7):
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 O quente vive com o mido, as coisas mortas ressecam-se, as sementes de todas as coisas 
so midas e todo alimento  suculento. Donde  cada coisa, disto se alimenta 
naturalmente:
gua  o princpio da natureza mida e  continente de todas as coisas; por isso supuseram 
que a gua  princpio de tudo e afirmaram que a terra est deitada sobre ela.
Outro nome importante, no grupo dos fisilogos,  o de Herclito, pensador minucioso e de 
difcil compreenso, discpulo de Pitgoras da cidade de feso. Para ele, a primeira 
essncia  o fogo, smbolo da inquietude, da no permanncia, do processo e do 
movimento, inserindo na sua discusso a questo da transformao. Podemos citar 
Anaxmenes, para quem o elemento originador  o ar, e tambm Empdocles que aponta 
para a combinao de quatro elementos: gua, terra, fogo e ar  que infinitamente 
rearranjados esto na base da natureza. H ainda Demcrito, que dois mil anos antes dos 
cientistas j falava em tomos e Pitgoras que entendia o nmero como essncia 
originadora.
Cada um desses pensadores exercitava o pensamento numa compre enso apoiada em 
embries de lgica e aportados na observao e na expe rincia direta com os fenmenos, 
podendo ser considerados os precursores da cincia, inclusive da cincia psicolgica.
O segundo grupo de pensadores pr-socrticos, denominado sofista, pensava o Homem na 
sociedade, enfocava a importncia do sujeito e o
designava, inicialmente, de acordo com Jerphagnon (1992, p. 18):
os detentores de uma sophia, isto , de uma compe tncia, de uma arte, de uma cultura, ou 
mesmo de uma sabedoria; {...] mais tarde esta palavra veio conotar a habilidade, a astcia, 
quando no a esperteza do homem que faz da palavra seu ganha po [ so intelectuais de 
oficio, cujos servios  tums de conferncias, aulas particulares  tm seu preo [ numa 
civilizao de cidades onde as responsabilidades, o prestgio, a riqueza, dependiam da arte 
de falar.
Os sofistas, segundo Aranha e Martins (1995, p. 192):
 iro proceder a passagem para a reflexo propriamente
antropolgica, centrando suas atenes na questo moral e poltica.
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Elaboram teoricamente e legitimam o ideal democrtico da nova classe social em ascenso, 
a dos comerciantes enriquecidos {...]; o instrumento desse processo ser a retrica, ou seja, 
a arte de bem falar, de utilizar a linguagem em um discurso persuasivo [ com o 
brilhantismo da participao no debate pblico, deslumbram os jovens do seu tempo. 
Desenvolvem o esprito crtico e a facilidade de expresso.
Nesse grupo so destacados, com freqncia, dois nomes: Protgoras
de Abdera (485-411 a.C.) e Grgias de Leontinos (485-3 80 a.C.).
Protgoras desenvolveu um pensamento que ligava conhecimento a sujeito conhecedor, 
entendendo o mesmo como instantneo, passageiro, relativo e puramente individual, ou 
seja: o Homem  a medida de todas as coisas, das que so o que so e das que no so o 
que no so . As impresses eram consideradas subjetivas, tornando-se compreensvel que 
duas observaes realizadas por dois observadores, mesmo que discordantes, fossem as 
duas verdadeiras. Seria possvel tambm que um mesmo observador ao observar duas vezes 
o mesmo objeto pudesse vir a perceb-lo de formas diferentes porque ele prprio j havia 
pessoalmente mudado entre as duas observaes. Para Protgoras no h possibilidade de 
formulao de uma viso absoluta da realidade.
Grgias, igualmente importante no sentido da aquisio da subjetividade, em certa medida 
inverte o pensamento sobre a obteno do conhecimento at ento discutido. Num tratado 
chamado Do no-ser, argumenta que o conhecimento e a verdade so impossveis de 
serem alcanados, pois nada existe, e ainda que existisse no poderia ser conhecido e 
mesmo que pudesse no poderia ser transmitido a outra pessoa, j que o sujeito que 
conhece e transmite no est nas mesmas condies de quem o ouve e cada um deles est 
embasado em sua experincia particular. O ouvinte pode, quando muito, inferir o 
conhecimento do outro. Nota-se neste momento que a linguagem j comea a ser entendida 
como smbolo arbitrrio.
Os sofistas, assim como os fisilogos, ao exercitarem a observao e a razo com o 
objetivo de compreender a transformao e dar sentido atualizado s relaes do homem 
com a realidade, criam uma linguagem que, lentarnente, vai se opondo  dos mitos, 
apontando bases referenciais e criando princpios, quer no plano do social, quer no do 
natural.
o
Tente ler sobre os pensadores pr-socrticos. No  uma leitura fcil, mas por meio dela 
voc ir perceber como o Homem foi adquirindo princpios de lgica e de ordem na 
interpretao do Universo. Leia tambm Homero e Hesodo, pois  interessante pensar 
quanto o primitivo ainda , essencialmente, atual nas nossas mentes to modernas.
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